Nunca
poderia imaginar que numa manhã de céu tão azul, com o canto dos
pássaros, paz, silêncio e serenidade, algo pudesse transformar esse
cenário em um vazio sem cor, sem luz, sem mais qualquer sentido...
No
jardim florido, sob uma linda roseira, o meu menino deitou-se e
fez sua passagem para o outro lado da Vida... O meu filho, o meu
anjo loiro, tão meu, tão amado, com seus poucos 6 anos e 11 meses...
Deixou-me... Uma arritmia ventricular, uma parada cardíaca e a partida...
Não
podia acreditar. Tudo tão de repente. Sem lógica. Sem sentido...
A dor se misturava à angústia, ao desespero... Minutos antes ele
sorria... Uns poucos instantes depois, morria... Eu não podia entender...
Não queria!
Não!
Não era verdade!!! Eu não iria viver sem ele!!!
Horas
se passaram e eu percebi que tinha que devolvê-lo ao Criador. Não
estaria mais ao meu lado fisicamente...
Uma
semana se passou e eu pude mais uma vez viajar com ele por lugares
lindos, pessoas desconhecidas, muitas flores, pássaros, tudo muito
perfeito e real. Mas eu acordei... Lá estava eu, novamente, com
minha vida, com a realidade fria, sem o meu filho.
Entrar
no quartinho, olhar os brinquedos, roupas... Achar até então ignorados
bilhetes em gavetas. Lembrei-me de uma poesia que o meu pequeno
anjo escrevera 2 meses antes de sua partida, um poema que jamais
esquecerei:
Mamãe,
me sinta no vento e no ar, que eu sempre te sentirei aqui dentro...
Você é o sol que me aquece, você é a Lua que me ilumina, a
Estrela que me guia, a minha verdadeira Vida Eterna. - Marcelo
Bruno - fev/90.
Li
e reli muitas vezes. Chorei muito, mas percebi que ele continuava
em mim, no meu Amor. Não saíra jamais de minha vida, dos meus dias...
Entendi
que a morte não é o fim. Não é o "nunca mais". É uma separação
por um tempo necessário aos olhos de Deus. O Pai nos criou, conhece-nos
à perfeição e sabe de nossas necessidades. Jamais nos deixaria passar
por tanta dor sem uma razão, ainda que essa razão esteja guardada
em Seus Mistérios...
Reaprendi
a viver com o meu filho, a abraçá-lo com o coração, a conversar
no silêncio do meu Amor e a me lembrar dele quantas vezes quisesse,
relembrando momentos, nossa história. Aprendi que ele continua existindo
em mim, em Deus. Tenho certeza do nosso reencontro, quando os braços
se farão abraços... O silêncio se fará palavras, como num grito
liberto da garganta.
O Marcelo
Bruno continua existindo e sempre existirá. Deus nos criou para
a Eternidade e se dores existem, fazem parte de nossa evolução para
a verdadeira Vida Eterna.
Não
perdi meu filho. Houve uma separação momentânea, uma viagem que
só ele pôde fazer. Numa estação lá adiante no trem da vida, nos
encontraremos.
Marcelo
Bruno nasceu em 28 de maio de 1983 e partiu em 16 de abril de 1990.
Eu
te amo muito meu filho! Para sempre. Por toda a minha vida, eu sei
que vou te amar...