Dizer sempre a plena verdade
sempre e sempre... É uma virtude?
Para que reconheçamos
uma virtude é preciso que haja a ausência plena da erronia que
lhe é oposta?
Sempre?
A Ética se dobra a uma
tabuada com rigores aritméticos?
Creio que não...
A ausência de luz nem sempre são trevas, tanto quanto a presença
da luz nem sempre equivale à iluminação de quem se ilumina...
Se a possibilidade de sobrevida de uma criança é nula, alguém
consideraria virtuosa a conduta de arrebar-lhe qualquer esperança
noticiando que a morte virá em breve tempo?
Mas não busquemos exemplo tão radical. Vejamos algo comezinho.
Se uma garota se mostra sorridente e feliz com seu novo corte
de cabelos, vibrando de alegria, e lhe pergunta o que acha, seria
mesmo virtuoso disparar-lhe algo como "nossa! achei um horror!",
ainda que seja esse o seu pensamento?
Não creio que o rigor matemático deva ser empregado para elucidar
equações do comportamento humano.
Há uma zona híbrida, tal como o pôr do sol em que não é dia nem
noite... Não há propriamente Luz nem Trevas... Sintomático que
é nesse período que o homem moderno aprendeu a ver o seu "happy
hour"...
Enfim...