Todos os demônios que existem estão em nosso coração. Ardem no peito nossas angústias tanto quanto permitimos que a dor ali ganhe morada. A Vida, o Mundo, as coisas do dia-a-dia, não são necessariamente boas ou ruins senão pelo que delas tiramos de aprendizado.

  • A força só existe se houver persistência na condução do que entendermos merecer realização.
  • A coragem só nos toca a alma se enfrentarmos o medo e vencermos os receios excessivos por um mal que antecipamos à fragilidade de nossa confiança.
  • A paz interior só é conquistada à conta do bom combate pela serenidade que nos livra do arrebatamento de impulsos meramente instintivos.

Se o medo tomar-lhe a alma, reflita. Poupe-se do labirinto de cogitações drásticas e erga o seu pensamento. Observe que o universo à sua volta é uma imensa rede de equilíbrio dinâmico cuja compreensão mal conseguimos vislumbrar. Vivemos em um pequeno astro que gira no espaço em torno de uma grande estrela. Caminhamos pela face desse planeta em meio a uma fina camada de gases, habitando placas que se apóiam no telúrico tormento de lavas incandescentes. Caminhamos sobre o que resta de terra em um imenso regurgitar de oceanos. Convivemos com um magnífico cinturão de asteróides e um satélite poeticamente iluminado. Para o reducionista letrado das ciências isso é tudo.

O que você acha?

Seríamos nós tão-somente um assombroso esquema de nucleotídeos, aminoácidos, carboidratos, lipídios e água, numa conjugação que o acaso forjou e que, sem nenhuma causa externa, atingiu a capacidade de cogitar de si mesmo?

Pare e pense um pouco. Você limitaria o seu bom-senso à tabuada castrante de um cientificismo míope? Creio que podemos cogitar de coisas ainda não compreendidas mas que são, por assim dizer, óbvias em sua existência. Não, não falemos de religiosidade. Não precisamos ir até o infrutífero embate pela defesa ou desprezo à existência de Deus.

Basta-nos pensar que há uma ordem universal mantenedora de todos os fenômenos dinâmicos e interdependentes que são o próprio universo em funcionamento.

A Evolução, essa Magia que transforma as feras em homens e os homens em anjos, é o ambiente sagrado do imenso Teatro da Vida!

Nos momentos de medo e desespero, lembre-se de tudo isso.

Você também está inserido na ordem universal. Todos os seus entes amados, da mesma forma, são partes indissociáveis do universo. Exerça a sua existência com a mesma atitude de uma partícula cósmica. Seja! Viva! Confie! Não se desespere. Não tenha medo. Não se revolte com a morte de um ente amado. Somos, todos nós, partes do todo universal. Os que nos precederam na mudança de dimensão certamente continuam sua existência em outro plano, sob harmônicos diferentes do mundo físico.

Eleve o seu pensamento e você poderá tocar o pensamento daquele que partiu. Vai senti-lo dentro de si, vivo, verdadeiro, mais abraçado do que nunca vez que sentido no âmago da própria alma!

Manifeste de si para consigo mesmo o dom que nos foi dado de graça pela Graça do Pai. Ore! Faça uma oração sentida, verdadeira, sem fórmulas prontas. Ore com palavras simples e totalmente suas. Eleve o seu pensamento a Deus e diga o quanto confia na Grande Obra da Criação. Entregue-se nas mãos do Pai e peça-Lhe que cuide de seu ente querido. Liberte o seu pranto, mas não em desespero, e sim na pura emoção da verdadeira entrega. Faça assim e o peso sairá de seus ombros. Faça isso e sua alma, tanto quanto a do seu ente querido que partiu, ficarão em paz, podendo voltar a conviver na esfera das vibrações do Amor, coabitando o Universo como sempre o fizeram até o dia em que novamente estarão frente a frente.